Depois de dirigir os filmes da Marvel de Pantera negra, Ryan Coogler roteiriza, produz e dirige Os pecadores.
O conteúdo é bem posto e a metáfora muito interessante, mas esse potencial é desperdiçado sem que se aprofunde as personagens.

Eles saíram da região, passaram um tempo em Chicago, fizeram fortuna de maneira ilícita e obscura e voltam para tentar mudar a região, abrir seu próprio bar, espaço de refúgio para a comunidade negra. Esse parece um bom propósito, mas a violência, as histórias de afetos entrecortadas e não aprofundadas, nos deixam um pouco no ar.
A seguir aparecem os "vilões", os brancos, representantes da Ku Klux Klan e também de vampiros da música, não apenas os blues tocados naquele bar, mas toda a música pop negra americana (há cena em que se alude de Robert Johnson a Nina Simone, de Michael Jackson a Beyonce, por exemplo).
Nada é muito explorado no filme, o foco fica mais na batalha de ação.
Com exemplos distintos, de Um drink no inferno de Robert Rodriguez à Deixa ela entrar de Thomas Alfredson, já comentado aqui, passando pelo Labirinto do Fauno de Guillerme del Toro, poderia haver inspiração para aproveitar o universo fantástico como referência ao real.
Os negros duramente injustiçados nos EUA, os aspectos da vida dos ex-escravizados no início do século, a vida em condições precárias de servidão, o preconceito, os abusos, as violências sofridas e a maneira como a música foi um espaço de resistência para eles é uma linda premissa. A vilanização dos brancos que os perseguiram, tolheram, mataram, roubaram e saquearam também. Mas a narrativa sem um olhar cuidadoso para as personagens, o excesso de fatos, de motivações, de ações e pirotecnias desviam o olhar do espectador, atrapalham, poluem. Pode gerar surpresa e admiração em diversos aspectos, vide às indicações ao Oscar, mas talvez menos histórico (em todos os sentidos) do que poderia.
