O turco alemão Fatih Akim veio consolidando sua cinematografia nas últimas décadas, nos apresentando filmes muito interessantes e diversos, como Contra a parede, Do outro lado e Soul kitchen - já comentados aqui, ou na última década em filmes como Em pedaços.
Projeto de Hark Bohm, ator e diretor alemão, que se inspira em suas próprias vivências e memórias e que, diante de uma doença, recebe o apoio e parceria do ex-aluno e amigo Fatih Akim para realizá-lo.
Uma infância alemã conta a história de Nanning, filho de nazistas que sofrem com sua anunciada derrota na primavera de 1945. Ao redor, amigos e vizinhos vislumbram tempos melhores, de menos violência e privação. Mas Nanning se vê dividido entre comemorar junto com eles e se lamentar com sua família, em especial sua mãe, a quem quer resgatar de uma depressão.
Em seus esforços para atender a mãe, vêm os conflitos entre a herança dos ideais arianos de sua família e a comemoração dos novos tempos, com espaço para outros povos e para solidariedade.
Como cuidar então de seu amor ao próximo, que se origina com sua mãe, figura primeva e depositária de seu maior afeto e o amor que vai surgindo por outras pessoas que sua mãe despreza? E como manter seus valores de uma educação rígida e sólida, quando vê familiares desistindo da vida ou fraquejando em sua ética em meio à necessidade?
Acompanhando seu desejo de atender a mãe, também torcemos para sua ruptura com ela, por isso a cena tão catártica em que ela tenta reprimir a afetividade dele e ele se rebela em abraços e lágrimas.
Com a linda paisagem da ilha de Amrun, no norte da Alemanha, próxima à Dinamarca, com o subtexto conhecido do nazismo e da guerra e com uma contrução econômica, nos aproximamos dessa realidade e recebemos com frescor mais um filme da 2a guerra. Mais emocionante ainda quando vemos personagens reais em cena. Emoção que transborda da tela e nos emociona também com os lamentáveis tempos de guerra que vivemos nos anos 20 deste século XXI.
