A cultura coreana tem conquistado cada vez mais espaço no mundo, tanto por aquilo que traz de específico e, portanto, diferente para o resto do mundo, como pela maneira como tem misturado elementos e se moldado num formato mais "ocidental".
A intensidade que podemos ver em filmes de Park Chan-wook, Kim Ki-duk ou Bong Joon-ho entram em narrativas mais populares. Assim a violência que vemos na trilogia da vingança de Chan-wook aparece na série Round 6; Joon-ho traz tramas insólitas e criativas como Ki-duk, mas com mais dinamismo e pitadas de humor, podendo arrebatar públicos, como seu caso com Parasita, por exemplo.
Também é o caso das novelas coreanas que têm concorrido com as mexicanas e brasileiras.
Na animação Guerreiras do K-pop, os diretores, Chris Appelhans e Maggie Kang aproveitam sua proximidade com a cultura oriental - Chris é casado com uma escritora filha de coreanos e Maggie é uma coreana criada no Canadá - e fazem uma envolvente mistura cultural no filme.
Guerreiras do K-pop traz uma clássica luta entre bem e mal, demônios e guerreiras que lutam contra eles, de maneira bem binária, empoderando as meninas, mas as colocando em luta contra os meninos. A arma encontrada por eles: a música.
Uma sacada interessante e que com isso introduz e explora esse elemento cultural universal que é a música. O K-pop coreano já soube se embalar em boy's e girl's band e conquistou o mundo. No filme a luta é para que o bem conquiste o mundo através da música, que ela invada o coração das pessoas, as ilumine e proteja.
E o filme conquista na energia das músicas e no carisma dos integrantes da banda: as meninas cada qual com sua personalidade: a tímida, atrapalhada, criativa; a impulsiva, decidida, briguenta e a vocalista/protagonista cheia de dúvidas e segredos, em busca de sua própria medida e escolhas.
Esse jogo com caricaturas também é explorado em muitos momentos de humor, inclusive das protagonistas, que também são mostradas em momentos mais cotidianos de adolescentes típicas.
E a animação acompanha:
varia o traço certinho, das personagens num mundo "barbie", com momentos fantásticos e assustadores e também aqueles mais cômicos, com traços exagerados. Boa trama e condução que talvez pudesse ter buscado mais ambivalências e complexidades para ficar melhor. Especialmente porque se tratando de uma obra infanto-juvenil há uma responsabilidade a mais na comunicação, assim a legião de fãs que conquistaram poderiam estar se questionando mais sobre o binarismo moral e de gênero.
