Série que está sendo bastante comentada nas redes por diferentes motivos e não à toa, ela flerta com questões diversas e em diferentes registros, porém o que poderia enriquecer a narrativa a deixa desencontrada (ou mesmo narrativamente disléxica)...
All her fault é sobre o desaparecimento de um menino de cinco anos e a busca dos pais por seu paradeiro.
O primeiro episódio nos captura pelo conflito denso e dramático vivido em maravilhosas atuações (embora aqui também haja desequilíbrio já que as protagonistas femininas são desenvolvidas com bastante tridimensionalidade e as masculinas ou mesmo as femininas coadjuvantes são quase caricatas e com atuações mais rasas). Sarah Snook e Dakota Fanning são os destaques.
No desenrolar dessa apresentação é colocada também uma questão muito contemporânea e profunda de: onde estão os responsáveis por uma criança? Fica evidenciado na série o desequilíbrio entre a divisão de tarefas, o desafio muito maior que é para as mulheres conciliarem a parentalidade com seus trabalhos. Faz lembrar as tirinhas de Mary Catherine Starr:
Ao final traz justificativas mirabolantes e que perdem o potencial de falar de questões atuais tão ricas e necessárias, se distancia do drama real, intimista e contemporâneo da parentalidade e se torna um suspense/novela mexicana/Manoel Carlos/Gloria Perez. Tem sua força, sua potencialidade, mas se perde nas chaves em que vai se desenvolvendo.
Começa dialogando com séries como Expatriadas ou a primorosa Mare of Easttown, segue explorando a trama intimista familiar remetendo a Big little lies, a própria Succession onde Sarah Snook também brilhou, ou a potente The Bear que também traz outro destaque do elenco: Abby Elliott.
Porém acaba por fazer lembrar da narrativa errática de Wanderlust ou Ladrões de drogas que começam com propostas consistentes, mas se perdem no caminho.
Em All her fault o final tenta amarrar tantas situações e de maneira tão exagerada que beira a inverossimilhança, nem se assume no gênero melodramático da novela como Por amor de Manoel Carlos, por exemplo, em que se assemelha bastante na trama. E tampouco se consolida na proposta mais densa. Na busca por justificativas psicológicas acaba por desresponsabilizar conflitos cotidianos como são os da parentalidade, postos todos os dias em todas as famílias e vividos dramaticamente o tempo todo, em especial pelas mulheres.
