Paulo Morelli chega em 2025 com uma diversa e sólida filmografia: publicidades, filmes e séries, com direito a destaques como a série Cidade dos Homens, espécie de spin off do filme de seu parceiro de produtora Fernando Meirelles.
Em Raul Seixas - Eu sou Morelli aplica toda sua experiência fazendo uma cinebiografia do grande astro da MPB.
Figura polêmica e idolatrada com uma trajetória com "início, meio e fim", "sexo, drogas e rock'n'roll". Tá tudo ali, mas para funcionar é preciso alinhar: astros, magias e outras artes, mas o que parece fácil e óbvio muitas vezes derrapa, vide tantas outras cinebiografias confusas, tumultuadas, atropeladas, mal interpretadas, precárias...
Aqui há uma medida boa de tudo, a dosagem entre as cenas melodramáticas e as musicais, entre o histórico e o romanceado que nos remetem à época. Episódio a episódio a série nos instiga tanto a aspectos mais históricos quanto aos mais pitorescos e nos faz repensar nas obras que conhecemos de Raul (como nas muitas cenas de criação de letras e músicas conhecidas de cor por todos). Também nos faz repensar nele de maneira mais íntima e aprofundada, nos envolvendo em seu drama pessoal: no talento, na irreverência, na megalomania, na errância, nos amores, nas rivalidades, nas curiosidades, nos vícios, nas traições, na crueldade do showbusiness... Caldeirão bombástico como para tantos outros artistas, como por exemplo: Elvis, Fred Mercury, Nina Simone, Amy Winehouse, Arnaldo Batista - todos com filmes comentados no acervo do blog.
Nossa aproximação com a trajetória também se dá muito por conta do elenco, com destaque para o trabalho do protagonista Julio Andrade.
Uma grande homenagem a um importante artista, talvez com possíveis lacunas biográficas - dado o contraste com outra obra audiovisual sobre ele, o documentário Raul - o início, o fim e o meio - já comentado aqui, mas vale muito a aproximação e o entretenimento... Para quem não viu ainda: "Toca Raul!".
