Esmir Filho estreou numa carreira promissora com curtas diversos e muito interessantes: desde o registro despretensioso e hit de internet com Maria Alice Vergueiro: Tapa na Pantera, passando pelo belo e sinestésico Saliva, ou no envolvente Alguma coisa assim.
Em seguida Esmir passou aos longas, mas sua estreia um tanto ambiciosa, parece menos bem acabada que os curtas, Os famosos e os duendes da morte, já comentado aqui, tem muito potencial, mas resultado irregular.
Agora em seu filme mais recente, Homem com H, vemos a maturidade de seu cinema, alguém já vivendo no mundo artístico há muitos anos, pela carreira de seus filmes, vídeos e séries e também por influências familiares. Esmir soube escolher um ídolo e mergulhar em sua história, captar seus pontos de interesse e entrelaça-los em um excelente enredo, uma homenagem digna para o octagenário Ney Matogrosso. Difícil as cinebiografias não se perderem e saberem dosar a quantidade de informações, é comum sairmos sentindo carências ou excessos, desequilíbrios e confusões, mas aqui a cadência funciona. Há lirismo, há drama, há contexto histórico... Há família, infância, amadurecimento, descoberta de sexualidade, romances, casamento, sexo, drogas, rock'n'roll, chiclete, banana, fantasia, carnaval... Há inclusive cenas documentais com Ney atual!
O menino que desde cedo teve sua delicadeza, sensibilidade e sexualidade questionadas e que precisou lutar por espaço, mas que escolheu uma luta colorida, com muita arte e ironia, intensidade e sofisticação.
Ney foi cobrado tanto para que fosse mais "homem", como para que assumisse sua homossexualidade perante o público, mas como ele mesmo já disse, ele não precisa falar sobre suas opções íntimas, o que ele defende está em sua expressão, no palco, nos figurinos, nos discos.
E no filme isso está representado pelo elenco, fotografia, direção de arte, som... Tudo confluindo para um bom resultado.
Saímos querendo mais, mas num querer satisfeito, de quem teve uma excelente amostra, de quem pode ver e conhecer diversas facetas de Ney e ficar admirado e cativado. O filme entrega e deixa espaço para que possamos seguir acompanhando sua trajetória, com nosso interesse ainda mais aguçado, uma ótima experiência audiomusicovisual!

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