quinta-feira, 30 de abril de 2026

Michael - Antoine Fuqua

    Cinebiografias viraram uma espécie de novo gênero audiovisual. O desejo de transcender o contato com ídolos sempre existiu, as obras que marcam nos fazem ir atrás das outras obras de um artista, nos fazem pensarmos suas inspirações e aspirações, nos fazem querer apreender mais daquele talento, ter ainda mais contato com ele... 

    Portanto ler biografias, assistir cinebiografias, tudo alimenta os fãs...

    Mas o que parece mais interessante nesse movimento é conhecer o lado menos conhecido dos artistas... Por exemplo saber dos dramas familiares de Ray Charles, os relacionamentos conturbados e ativismos de Nina Simone, os excessos de Elvis Presley ou Amy Winehouse, a singularidade de Fred Mercury ou Elton John, as dores de Elis Regina, o contexto social e político em que viveu Gal Costa, a pluralidade e potência de CazuzaRaul Seixas ou Ney Matogrosso etc etc etc - muitos destes exemplos comentados e linkáveis aqui no blog...

    Retratar, portanto, um dos maiores ícones pop de todos os tempos é muito promissor.

    A história de um garoto que antes dos 10 anos já era tido como um gênio do canto e da dança, que viveu todas as conquistas possíveis na indústria fonográfica,  que esteve quase toda sua vida em público e que, além disso, tem passagens conturbadas e dramáticas com a família de origem e também na busca de constituição de sua própria família... Um homem que taambém carregou em si imensos desafios por sua raça e sexualidade, que viveu dores que o fizeram combater isso e ao mesmo tempo acabar em vícios por decorrência (sua morte foi decorrência de uma alta dose de sedativos)...
    Um vasto material de riqueza e densidade gigante. Gigante como seu nome e seu brilho, porém o filme Michael foi tímido e optou por apenas mostrar o tamanho do astro e não as vulnerabilidades do homem.

    Como não há tramas sem conflitos ou heróis sem superações, então o filme faz uma opção covarde de eleger o pai de Michael como um grande vilão e Michael sendo desafiado apenas por ele. Os outros obstáculos colocados não abalam Michael e ele sempre sabe se colocar e superá-los - como a inserção que faz da música negra na MTV, por exemplo.

    Já aa personalidade complexa e com as várias questões psíquicas importantes são apresentadas como reações à vilania do pai e expresssa em curiosidades excêntricas, por exemplo suas "amizades" com animais de estimação nada convencionais.

    Resulta em um filme chapa branca e morno, que pode empolgar os fãs pela reconstituição artística, com as cenas de criações, canto e dança muito bem realizadas, mas sem nada mais a acrescentar.

    Um projeto familiar, protagonizado inclusive pelo sobrinho de Michael, Jaafar Jackson, muito bem no papel já que é excelente dançarino, tem semelhanças físicas aprimoradas pela inteligência artificial, por exemplo nas mudanças de cirurgias plásticas ou no auxílio para as vozes dos cantos. Por outro lado na interpretação talvez haja um excesso que parece feminilidade, onde em Michael parecia mais fragilidade e delicadeza.

    Entretanto justamente por esse ambiente familiar talvez não tenham optado abordar questões mais íntimas ou expor demais as controversias. 

    Uma pena, pois trazer as ambiguidades e contradições enriqueceria muito: apresentar os contras seria reforçar e humanizar os prós, seria tridimensionalizar o ídolo e deixá-lo ainda maior. O filme faz com que ele permanece do tamanho que já conhecemos por seus discos e clipes...

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Rede tóxica (American Sweatshop) - Uta Briesewitz

    Conhecida por sua direção em séries como Westworld, Stranger things, Severance - já comentada aqui, Uta Briesewitz apresenta também o seu trabalho em longas-metragens com Rede tóxica.

    A premissa muito atual, importante e interessante do compartilhamento de conteúdos nas redes é apresentada a partir de uma agência reguladora de conteúdos e seus funcionários. Quem conduz a trama é a protagonista Daisy, vivida pela talentosa e carismática Lili Heinhart, de Hal & Harper - também comentado aqui.

    A equipe da agência vai entrando em contato com cenas de violência e sexo e se afetando com aquilo: de vômitos a desmaios, surtos a depressões, todos vão adoecendo psiquicamente.

    Ali é um recorte extremo, mas não deixa de ser um espelho da sociedade, uma metonímia do que se pode ter navegando pela internet, em especial adolescentes e jovens.

   
    Rede tóxica então é um filme necessário, porém ao colocar como trama central a relação de Daisy com uma cena específica de sexo violento e sua obsessão com essa cena limita a questão. Limita porque não desenvolve o que poderia ser a motivação de sua obsessão, nem as consequências. Tampouco aborda o porquê da realização ou sucesso dessas cenas. O filme se restringe à tentativa de Daisy encontrar o executor da cena, como num filme de suspense e perseguição.    

    Uta Briesewitz poderia desenvolver e transbordar mais, mas só de trazer a questão já é um grande feito.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Papagaios - Douglas Soares

    Primeiro longa do roteirista e diretor Douglas Soares, Papagaios tem argumento original e construção de clima envolventes.

    O filme se desenvolve a partir da personagem Tunico, vivida por Gero Camilo, que faz a vida em busca de cinco segundos de fama. Ele está sempre atrás de reportagens, literalmente, tentando aparecer no fundo das cenas, em especial funerais, daí o título, referência a "papagaios de pirata".

    Tunico é uma figura magnética, entre o repulsivo e o excêntrico, que atrai a atenção do jovem Borges, vivido por Roney Villela, e assim se aproximam. Borges se torna uma espécie de pupilo de Tunico, em uma relação estranha: não sabemos se há admiração, inveja, desejo, raiva... Tudo de maneira misturada, em nuances e ao mesmo tempo muita intensidade.

    O que talvez falte é um ritmo e ações que nos leve a uma aproximação gradual, que possam manter o suspense, mas ajudem a construir essas psiques doentias, como informações que dessem mais pistas das  vivências e intenções por trás dessas personalidades. A complexidade da relação das pessoas com a vida pública e a fama está lá, o reconhecimento da psicopatia também, mas essas questões poderiam estar um pouco mais desenvolvidas para que o thriller fosse ainda mais denso e eletrizante. Não sabemos muito sobre seus passados, não vemos muitas justificativas para seus atos.

    Fica esse desejo de mais desenvolvimento psicológico, mas com o reconnhecimento do experimento criativo dentro de um gênero em geral com muitos clichês e poucos exemplos no cinema nacional.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

DTF St. Louis - Steve Conrad

    Steve Conrad parece gostar de histórias emocionantes e com excentricidades, por exemplo no roteiro do filme Wonder, sobre um menino sindrômico, mas que, na direção de Stephen Chbosky, o melodrama transborda um pouco.

    Já aqui em seu novo trabalho, DTF St Louis, em que Conrad também se arrisca em dirigir, sua combinação de roteiro e direção vem com maturidade e sensibilidade.

    A trama envolvendo um trio romântico de meia idade é envolvente e surpreendente. A maneira como eles vão se conhecendo e relações se estabelecendo adensadas com a morte de um deles instiga e conecta o espectador.

    A história, mais do que acompanhar a investigação dessa tragédia e seu possível julgamento, mergulha nas personagens, onde o que marca é o ritmo que os atores imprimem. 

    O tempo da série parece ralentado, mas não é apenas por uma questão de velocidade, e sim um sublinhar das falas e reações das personagens. Efeito reforçado pelas cenas "dialogadas" em linguagem de sinais e seu silêncio eloquente e expressivo. 

    Quase como uma sitcom que espera fazer de reações gagues para dar tempo para risadas. Ou em obras que buscam o estranhamento, como personagens dos irmãos Coen, que também não trazem um ritmo fluído e nos levam a um lugar bizarro e incômodo. 

    Ou  filmes de Sophia Coppola, como Lost in translation, que fala justamente de uma comunicação em entrelinhas, com personagens perdidas nas possíveis traduções e interpretações.

    Em DTF St Louis a construção marca mais certa perplexidade. As personagens falam como quem transborda o que lhes vem à cabeça, numa sinceridade ingênua e pueril, só que os interlocutores ao invés de estranharem, rechaçarem, enquadrarem ou ridicularizarem o outro, elas acolhem o que é dito. 

    Pouco a pouco vamos descobrindo a afetividade de cada personagem e o encantamento que se produz a partir daí: Floyd, o homem amoroso com uma carreira fracassada, casado com Carol, uma mulher ambiciosa e batalhadora, mãe de um menino com dificuldades de interação, que conhecem Clark, um homem de mais êxito profissional, mas extremamente solitário. E os investigadores, que começam frios e distanciados, mas que se enredam na trama.

    Eles interagem e se apresentam com detalhes e declarações simples (mas daquela simplicidade que poderia estar em poemas e canções). E a direção emoldura cada pequeno gesto e dá espaço para as atuações se destacarem (em todos os sentidos). Assim vamos nos comovendo com as personagens e nos apaixonando junto com elas.

   
A série tamabém tem o mérito de trazer nuances com o avançar dos sete episódios: tenta desvendar os motivos da morte de Floyd nos fazendo gostar e desconfiar, descobrir não só as qualidades, mas as vulnerabilidades encantadoras de cada um ou as fraquezas que  comprometem a vida dos demais e que podem ser vistas como problemáticas. 

Por exemplo o fracasso de Floyd que endivida toda a família, a ambição de Carol que passsa a desprezar Floyd, as tentativas de ajudar de Clark, mas que expõem e humilham os outros dois.

    Assim esses heróis passam a parecer vilões e depois voltam a parecer heróis e terminam sendo extremamente humanos, numa afetividade que se fragiliza frente a um mundo tão árido, até indicando certa crítica a uma sociedade (em particular a norte-americana) que endivida sua população, que não dá muita oportunidade de trabalho, que não incentiva nem acolhe a diferença, que promove bullyigs e competitividade desde a infância... 

    Uma série sobre encontro, mas também sobre um tempo em que se sucumbe às próprias fragilidades.

sábado, 11 de abril de 2026

A verdadeira dor (A real pain) - Jesse Eisenberg

    Civilizações que passaram por guerras e imigrações tendem a se fechar e ter seus integrantes se apoiando, costuma haver um movimento bonito de solidariedade. É o caso do povo judeu, ameaçado e perseguido por séculos e por muito tempo um povo sem pátria.
    Entretanto a partir dos conflitos e opressões, muitas vezes também vêm sentimentos revanchistas entre estes povos. É o que vemos atualmente entre grande parte dos judeus, que apóiam o estado criado para eles e um expansionismo bélico e fascista.
    Em paralelo há um movimento de enaltação à sua cultura e como em Hollywood a comunidade judaica é muito grande e importante, não à toa andaram surgindo obras com esse perfil.
    É o caso de A verdadeira dor de Jesse Einsenberg. Conhecido por seu trabalho de ator, em filmes como Lula e a Baleia, A rede social e Truque de mestre, Aqui Jesse se arrisca na direção, o filme tem um tema interessante de reencontro com as origens da família a partir da morte da vó e uma direção competente, porém a história é rasa e arrogante.
    Dois primos se encontram para fazer essa viagem de homenagem e há um conflito entre eles: o primo mais reprimido e certinho, vivido por Jesse e o primo mais criativo e impulsivo vivido por Kieran Culkin, muito elogiado por essa atuação por sinal.

    Mas na impulsividade desse primo há um comportamento muito desrespeitoso, de quem se acha o centro do universo e não se importa com os sentimentos ao redor, até aproximando Culkin de seu trabalho de destaque anterior, vivendo um dos irmãos da série Succession.
    As verdadeiras dores ficam então ofuscadas por imaturidades e um certo umbiguismo e acabam por não interessar e comover tanto.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Sinédoque, Nova Iorque (Synecdoche, New York) - Charlie Kauffman

     Conhecido por parcerias exitosas como em Brilho eterno de uma mente sem lembranças dirigido por Michel Gondry - já comentado no blog - ou Quero ser John Malcovich dirigido por Spike Jonze, aqui o roteirista Charlie Kauffman se arrisca também na direção em Sinédoque, Nova Iorque.

    E faz um bom trabalho, com um elenco interessante e uma montagem vertiginosa acompanhando o processo de criação de um diretor de teatro, vivido pelo saudoso Philippe Seymour Hoffman.

    A questão com o filme são os excessos, a ideia dentro da peça, dentro do filme em que tudo é metáfora para processos de apaixonamento, separação e luto do artista. As diferentes camadas ficam confusas, como uma construção barroca em que por um lado dá forma e materialidade a sensações abstratas, mas por outro vai diluindo e ofuscando sua mensagem.

    Um pouco como Quero ser John Malcovich, que traz uma premissa genial, mas numa história que parece não saber o que fazer com ela, fosse um curta seria maravilhoso, mas num longa fica desgastante.

    Sinédoque, nome que remete à figura de linguagem semelhante a metonímia, demanda seu tamanho, mas poderia ter mais lapidação, assim os estranhamentos lynchianos (nos remetendo um pouco a Estrada perdida ou Cidade dos sonhos), como casas em incêndio por anos ou personagens vividas por diferentes atores,  teriam mais potência.


quinta-feira, 9 de abril de 2026

A filha perdida (La Figlia Oscura / The Lost Daughter) - Elena Ferrante / Maggie Gyllenhaal

Poucas são as criações artísticas com características mais explicitamente femininas. A escrita de Clarice Lispector é um exemplo, com seus fluxos de pensamento em associação livre que apresentam menos considerações e racionalizações diretas e fálicas e mais uma sinestesia da vivência corpórea e intimista. No cinema sua obra pode ser conhecida na adaptação de Suzana Amaral para A hora da Estrela.

Também Marguerite Duras com sua sensualidade intensa e ao mesmo delicada, errante e muito característica. Além de escritora, Marguerite era roteirista, assinando dezenas de obras, e parceira de diretores como Alain Resnais na obra-prima Hiroshima mon amour ou na adaptação de Jean-Jacques Annaud para um de seus livros mais importantes: O amante.

Um exemplo mais recente de literatura feminina seria Elena Ferrante com histórias marcadas por sentimentos ambivalentes intensos, presentes tanto em relações femininas de amizades, mas principalmente da maternidade.

 Os livros de Ferrante têm muitas cenas bem audiovisuais, apesar do mistério sob sua identidade, fala-se de histórias autobiográficas e portanto com muitos dados realistas, circunstâncias históricas e cenas em continuidade, como de novelas. 

Não à toa suas obras também têm sido muito adaptadas, foi o caso da série Amiga Genial, adaptada por Saverio Constanzo e do filme A filha perdida de Maggie Gyllenhaal.

   
Maggie vem de uma família de artistas e começou sua carreira se destacando como atriz, um dos filmes em que atuou foi O sorriso de Monalisa, que também apresenta contradições e disputas de um mundo feminino, embora de uma maneira mais rasa.

Aqui Maggie se debruça sobre uma obra de Ferrante com uma protagonista às voltas com a maternidade: maternidade desejada, cheia de amor, mas também de muita exasperação.

Maternidade que transborda carinho e admiração, mas que também sufoca e demanda privações, especialmente em um mundo machista. 

Em seu casamento foi ela a demandada a deixar de lado sua carreira para se dedicar às crianças, é ela que recebe pedidos e cobranças sem fim de suas filhas, é ela que ouve infinitos chamados de seu nome... até que ela se rebela.

Essa guinada em geral é acolhida pelas mulheres, mas provoca repulsa entre os espectadores homens. Parece duro uma mãe que abandona os filhos e mais fácil se chocar com elas, apesar das milhares de versões masculinas de abandono já são tão usuais que não sensibilizam mais.

E no filme o abandono também é cheio de ambivalências, há amor e ódio, culpa e gozo, independência e desamparo.

Quem é a filha perdida do título? 
A própria protagonista, também em crise com sua mãe (situação melhor desenvolvida no livro do que no filme aliás)? Suas filhas e o momento da infância delas em que a mãe não esteve presente? A mãe que ela conhece na praia e que a faz rememorar toda essa história? A filha dessa moça? A boneca dessa filha que se perde na praia gerando grande comoção?    

São muitas figuras femininas na obra e todas intensas, com sentimentos latentes transbordantes e enigmáticos e que são muito bem incorporados no filme, com uma direção enxuta e precisa e um elenco afiadíssimo, com destaque para Olivia Colman, mas presenças importantes de Jessie Buckley, Dakota Johnson, Ed Harris e Paul Mescal.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Os anos novos (Los años nuevos) - Sara Cano, Paula Fabra e Rodrigo Sorogoyen

A série Os anos novos investe em personagens carismáticos vivendo conflitos realistas e cotidianos para envolver o espectador.


    Começa em cenas de apresentação e sedução de uma relação, depois os primeiros conflitos, passando ao desejo de se reconectar, até desencontros de momentos de vida e a expectativa do final feliz.

    Assim como na série Um dia - recém comentada aqui, lançada dois anos antes, Os anos novos também traz cada episódio correspondendo a um ano, um reveillon, e, assim, a temporada discorrendo sobre dez anos na vida das personagens.

Porém aqui a busca é mais de um mergulho na vida de Ana e Oscar e nas possibilidades de enlaçamento deles, lembrando mais a série - filmográfica - de Richard Linklater: que começa num Antes do amanhecer, passa ao Por do sol, para chegar na virada da Meia-noite

Ali há uma radicalidade do investimento nos diálogos, num tempo muito realista e um encadeamento quase de associação livre, que a faz mais instigante e original. Não há uma seletividade das falas em prol de uma dramaturgia mais afiada, o encanto está em se deixar envolver pela conexão e aleatoriedade de temas que coexistem nas personagens vividas por Ethan Hawke e Julie Delpy - saiba mais aqui.

    Aqui também há uma ênfase nos diálogos, mas eles são um pouco mais "funcionais", relatam mais o passar dos anos e deixam menos espaço para lacunas. Mas as temáticas intercalam com detalhes cotidianos e singelos.

    Os anos novos traz Ana, uma garota extrovertida, que ainda não encontrou um foco na vida e está temerosa em tomar passos e se arriscar. E Oscar, um rapaz mais sério e responsável, mas bastante solidário e parceiro.

    (Casal que lembra também outra obra de sucesso recente: A pior pessoa do mundo - também comentada aqui).

    Porém aqui a série se perde um pouco ao trazer um amadurecimento de Ana e que não é acompanhada por Oscar. Ela se arrisca em desejos, vai atrás deles e aprofunda sua caminhada. Já Oscar não muda muito e acaba pautado por certo ressentimento.

   
A empatia então pelo casal e a torcida pelo "final feliz" se desgastam um pouco, mas as cenas bem filmadas e a boa atuação e direção de atores nos mantém conectados e curiosos do desfecho, como em séries adolescentes e comédias românticas, mas aqui com um pouco mais de profundidade. 
Há potencial para uma grande trama, mas o resultado está mais para uma série agradável.