Conhecido por parcerias exitosas como em Brilho eterno de uma mente sem lembranças dirigido por Michel Gondry - já comentado no blog - ou Quero ser John Malcovich dirigido por Spike Jonze, aqui o roteirista Charlie Kauffman se arrisca também na direção em Sinédoque, Nova Iorque.
E faz um bom trabalho, com um elenco interessante e uma montagem vertiginosa acompanhando o processo de criação de um diretor de teatro, vivido pelo saudoso Philippe Seymour Hoffman.
A questão com o filme são os excessos, a ideia dentro da peça, dentro do filme em que tudo é metáfora para processos de apaixonamento, separação e luto do artista. As diferentes camadas ficam confusas, como uma construção barroca em que por um lado dá forma e materialidade a sensações abstratas, mas por outro vai diluindo e ofuscando sua mensagem.
Um pouco como Quero ser John Malcovich, que traz uma premissa genial, mas numa história que parece não saber o que fazer com ela, fosse um curta seria maravilhoso, mas num longa fica desgastante.
Sinédoque, nome que remete à figura de linguagem semelhante a metonímia, demanda seu tamanho, mas poderia ter mais lapidação, assim os estranhamentos lynchianos (nos remetendo um pouco a Estrada perdida ou Cidade dos sonhos), como casas em incêndio por anos ou personagens vividas por diferentes atores, teriam mais potência.

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