Portanto ler biografias, assistir cinebiografias, tudo alimenta os fãs...
Mas o que parece mais interessante nesse movimento é conhecer o lado menos conhecido dos artistas... Por exemplo saber dos dramas familiares de Ray Charles, os relacionamentos conturbados e ativismos de Nina Simone, os excessos de Elvis Presley ou Amy Winehouse, a singularidade de Fred Mercury ou Elton John, as dores de Elis Regina, o contexto social e político em que viveu Gal Costa, a pluralidade e potência de Cazuza, Raul Seixas ou Ney Matogrosso etc etc etc - muitos destes exemplos comentados e linkáveis aqui no blog...
Retratar, portanto, um dos maiores ícones pop de todos os tempos é muito promissor.
Como não há tramas sem conflitos ou heróis sem superações, então o filme faz uma opção covarde de eleger o pai de Michael como um grande vilão e Michael sendo desafiado apenas por ele. Os outros obstáculos colocados não abalam Michael e ele sempre sabe se colocar e superá-los - como a inserção que faz da música negra na MTV, por exemplo.
Já aa personalidade complexa e com as várias questões psíquicas importantes são apresentadas como reações à vilania do pai e expresssa em curiosidades excêntricas, por exemplo suas "amizades" com animais de estimação nada convencionais.
Resulta em um filme chapa branca e morno, que pode empolgar os fãs pela reconstituição artística, com as cenas de criações, canto e dança muito bem realizadas, mas sem nada mais a acrescentar.
Entretanto justamente por esse ambiente familiar talvez não tenham optado abordar questões mais íntimas ou expor demais as controversias.
Uma pena, pois trazer as ambiguidades e contradições enriqueceria muito: apresentar os contras seria reforçar e humanizar os prós, seria tridimensionalizar o ídolo e deixá-lo ainda maior. O filme faz com que ele permanece do tamanho que já conhecemos por seus discos e clipes...

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