As cenas se apresentam de maneira excêntrica, pendendo para o cômico, numa linguagem própria do universo coreano. Entretanto para quem enfrenta essa apresentação mais caricatural, vai se desvendando o lado profundo e humano das personagens e esse encontro termina de maneira tocante.
Partimos de um universo excêntrico de uma elite muito rica que frequenta um clube de golfe - bastante semelhante ao ambiente da série White Lotus. Os protagonistas apresentados são um casal de gerentes de meia idade que interage com muita naturalidade com os sócios do clube, e um jovem casal de funcionários, intimidados e subservientes tanto em relação aos sócios quanto em relação aos gerentes.
Assim vão sendo apresentados seus sonhos, desejos e desafios, de maneira íntima e cativante.
Só que o desenrolar da série traz uma trama policialesca, com um confuso e grandioso golpe e cenas mirabolantes. Tudo vai ficando muito excêntrico, as personagens agem em função das pirotecnias golpísticas, se distanciando da humanidade e verossimilhança.
O jovem casal, por exemplo, que vivia um início de casamentos cheio de sonhos de estabilidade e filhos tem a garota virando uma ambiciosa escaladora social e seu companheiro se distanciando dela, mas num posicionamento ingênuo e pouco interativo.
Há humor, há drama, há suspense, mas tudo de maneira um tanto pastichizada.
Se relaciona com as narrativas coreanas recentes e populares como Parasita, de Bong Joon-ho ou mesmo Tudo em todo lugar, tudo ao mesmo tempo, de Daniel Kwan e Daniel Scheinert, mas não faz um desfecho tão envolvente e bem amarrado.
