Ruptura é uma série árida e muito contemporânea, traz a trama de uma equipe que trabalha na misteriosa corporação Lumon, na qual trabalham pessoas que aceitaram uma experiência de se alienarem de si mesmas, de viver uma vida alternativa naquele ambiente, sem se lembrar ou ter qualquer conexão com suas vidas "reais".
Entretanto essa "ruptura" começa a ter falhas, algumas pessoas dentro das empresas parecem se lembrar e ter relações com a vida fora dali e algumas pessoas começam a levar lembranças e informações da empresa para fora dela.
Há um suspense e uma investigação em relação aos fatos relacionados ao procedimento de "ruptura", que pode atrair aqueles que gostam de um bom thriller, mas há também um potencial dramático, já que cada personagem buscou romper consigo mesmo por um motivo: são lutos, decepções, questões familiares etc.
A trama flerta com um irreal mas que simboliza certos encaminhamentos que a humanidade tem feito: a virtualidade das relações, a desconexão com os afetos, a robotização do trabalho...
Nesse aspecto remete um pouco à proposta da série Black Mirror.
Já na trama dramática nos faz pensar em Brilho eterno de uma mente sem lembranças, (já comentado aqui), afinal até onde pode ir nosso desejo de não lembrar? Será que vale apagar tudo para apagar uma dor? O quanto nos apagamos a nós mesmos querendo não sofrer? Optaríamos pela pílula azul do Matrix, escolhendo a alienação?
Questões profundas e bastante interessantes, mas que se perdem e se arrastam um pouco.

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