Joachin Trier vem consolidando seu cinema com personagens humanas, conflitos cotidianos, aparentemente triviais, mas sempre com delicadeza, profundidade e graciosidade.
Foi assim em sua estreia com Reprise, depois em Oslo, 31 de agosto e mesmo ao misturar fantasia como em Thelma, todos comentados aqui.
Aliás, fantasia que sempre o acompanha em jogos de linguagem... Aqui, por exemplo, temos o filme dividido em capítulos e uma narração que chega a remeter a Amelie Poulain de Jean-Pierre Jenet. Mas ele deixa a fábula do destino de sua protagonista de lado e passa a construi-la através de seu cotidiano, e aí nos conquista. A protagonista Julie, vivida pela carismática e talentosa Renate Reinsve, vive suas dúvidas sobre carreira: começa medicina, tenta psicologia, depois se volta à fotografia sem nunca estar certa de nada.
A dificuldade de não saber para onde ir de Julie parece acometer Trier também, que no ápice do filme faz uma cena epifânica, com tudo em suspenso ao redor das dúvidas de Julie (um congelamento estético da cena).
No ponto de envolvimento em que estamos na trama, passada a sequência espetacular em que ela conhece outro rapaz, numa sedução sem nenhuma explicitude e por isso mesmo tão sexy, já estamos aderidos aos seus pensamentos e emoções, não precisava nenhuma metáfora visual tão acintosa. Mas também não compromete, ainda mais que na sequência veremos questões de vida e morte sendo exploradas com uma densidade suave muito envolventes.
Um filme com ritmo, cenas e personagens agradáveis e muitas questões com as quais nos identificamos e que nos fazem pensar, merecido o reconhecimento de público e crítica que teve.

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