Que figura ímpar a do médico Drauzio Varella, essa é, sem dúvida, a principal mensagem do filme A vida é uma maratona.
A narrativa que vai trazendo uma multiplicidade de temas, tempos e atividades de Drauzio tem dificuldade de acompanhar o ritmo do maratonista: seu passado como filho de imigrantes humildes, a perda precoce da mãe, os laços afetivos familiares; depois a escolha da profissão, seu propósito de vida sempre com causas nobres: das pesquisas do câncer, passando a campanhas de proteção ao HIV, o trabalho em presídios, o talento de comunicador; chegando na vida na maturidade, os casamentos, as filhas e, sim, o tema que dá título ao filme: sua paixão pela corrida.
É muito tema, todos envolventes e interessantes, mas a maneira como os assuntos se conectam é muito direta, com cortes simples, sem tanto diálogo e rimas entre os assuntos. Somos jogados para cá e para lá e faltam momentos para mergulhos e arrebatamentos.
Talvez o jeito tão sério e íntegro de Drauzio dificulte encontrar espaços para surpresas, para adensamentos de detalhes... E talvez tantos temas importantes também deixe pouco espaço para o prosaico, para curiosidades onde poderíamos nos conectar mais, mais intimistamente... A quantidade de assuntos pode soar ainda como excesso, já que há momentos em que nos perdemos do todo, bifurcamos em alguma questão como uma doença ou uma amizade, mas que logo é deixada por outro tema/estrada...
Aí parecia o desafio do roteiro, da direção, da montagem, nos levar para algum lugar além do registro dessa vida tão nobre...
Trotamos pelos principais pontos da vida dele, somos comunicados de que sua vida é uma maratona, mas as emoções pelas subidas e descidas, pelos tropeços e conquistas chegam tímidos.
Merecida essa reportagem e documentação, mas poderia ser ainda mais cinematográfica, pois sua vida certamente é! Um viva a ele!

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