quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A estrada (The road) - John Hillcoat

     A adaptação de John Hillcoat para o livro de Cornac McCarthy, A estrada, é mais um filme sobre fim de mundo. A Terra está definhando, os recursos estão acabando e com isso as pessoas vão ficando mais selvagens e hostis.

    Há milhares de exemplos de filmes assim, de Mad Max à Cegueira, de Não olhe para cima à Melancolia, passando pelo potente Hell - já comentado aqui - ou pela série Last of us, que faz muitos paralelos com A estrada.

    Aqui a trama também se passa na relação entre um adulto cuidador e uma criança que precisa de cuidados, mas que também tem o desafio de aprender a se cuidar.

    Um pai e um filho, um cuidador zeloso e obsessivo e um menino que mistura medo, amor, vulnerabilidade mas, acima de tudo, esperança.

    Os dois acabam entrando em conflitos sobre no que e em quem acreditar: o menino quer se abrir ao mundo, quer se vincular, quer florescer, mas o pai foca apenas em se fechar e se proteger. Como espectadores podemos oscilar entre as duas posturas e ver testadas nossas emoções.

    O filme é árido como poderia ser um fim do mundo, falta vida, falta cor (parece quase em preto e branco), falta ação... Mas o que sobra parece ser o essencial. 

    Por isso que, ao final, o filme parece ser sobre a vida e a morte e mais: sobre o amor ou não amor.  Mesmo com cenas mais convencionais, somos tocados por passagens e diálogos bonitos que nos tragam para essas questões e dilemas.

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