Como em todo trauma e luto, os acontecimentos não acontecem de forma linear, os afetos não têm uma organização e temporalidade localizada, não há uma geografia específica e por isso tudo se mistura.
Esse é o grande mérito da série: conseguir nos capturar para um emaranhado de lembranças, acontecimentos e personagens do passado, presente e futuro dos protagonistas.
A cada episódio somos preenchidos por acontecimentos ora da infância, ora da juventude e caminhamos um pouco mais para o que está por vir, temos momentos para sorrir puerilmente com as personagens ou chorar copiosamente.
Entre os fatos dessa trajetória está a família tentando se reerguer logo após a perda da mãe, tanto as duas crianças quanto o pai que ficou como único cuidador delas. Eles oscilam entre a cumplicidade em que um fato deste traz e o estilhaçamento e ressentimento particular de cada um.
Esse passado transborda em tudo que tiveram que engolir para seguir vivendo e no que se fixaram e de onde nunca conseguiram sair.
Nos 20 e poucos anos dos jovens cabem as crises clássicas de descoberta e fim de primeiros amores, de sonhos de trabalho versus sonhos de casamento e desejos de se estabelecer, mas também de mudar e alçar voos.
A narrativa densa e dramática é muito boa, mas a linguagem que nos remete à memória, essa matéria metafísica que nos compõe e que faz com que nossas trajetórias e dramas sejam tão singulares é que faz com que Hal & Harper seja tão especial também.

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