Além da trama principal que retrata o tráfico sexual de meninas no norte do país, há também o bulliying de meninos contra meninas, a divulgação de vídeos não consentidos, o conflito entre sexualidade e religião, o assédio de homens contra meninas, o uso de drogas, a prostituição...
A série traz a crueza do tema em um ritmo envolvente, não há a densidade de Manas, já comentado aqui, mas há potencial para conquistar o público e amplificar a denúncia. Com um ótimo elenco, encabeçado pela protagonista Janalice, vivida por Domithila Cattete, que traz o misto de etnias em suas feições, e um rosto e corpo de adolescente em que ora vemos a menina que precisa de proteção e ora vemos a mulher decidida e forte que poderá se tornar.
Ela começa tendo que lidar com o namorado que a trai divulgando imagens íntimas, depois tendo que lidar com a família que a condena, com outra parte da família que se resigna em aceitá-la, mas sem muito afeto e dedicação e ainda por cima com o risco de abuso. A partir daí ela se vê à própria sorte e busca suas próprias relações.
Janalice consegue fazer amizades, mas com outras pessoas também vulneráveis, que a vulnerabilizam mais e assim acaba capturada por traficantes sexuais que a leva para outro país para ser prostituída.
Essa trama envolve criminosos e políticos, de maneira bem realista, em especial em tempos de revelações de arquivos Epstein e denúncias de milhares de feminicídios e Janalice vai se tornando uma real heroína.
Temas sérios mas que são trabalhados como trama de ação policial, talvez com excesso de movimentações, cores e sons e passagens muito rápidas e que nos dificultam assimilarmos.
Como uma paixão muito repentina de Preá por Janalice por exemplo.
Ou em conflitos densos como o arrependimento do pai de Janalice pela maneira como age com ela, uma mudança bonita e profunda, mas que poderia ser mais explorada.
Ainda assim o resultado é ótimo e vale ser visitado!

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