Aqui a protagonista é Mabel, uma menina que cresce defendendo os animais, para que eles possam viver em seus habitats naturais, até o ponto de se opor às buscas de "modernização" da cidade feitas pelo prefeito. O charme do filme é ela fazer essa defesa ao lado dos bichos, participando de um experimento científico que a faz adentrar um corpo de um castor e interagindo como se fosse um deles.
Diferente de filmes que apresentam o mundo dos animais de maneira mais endêmica, como Vida de inseto, Formiguinhaz ou Flow; diferente também de filmes que tentam "humanizar" o mundo dos animais, reproduzindo os mesmos afetos e o mesmo sistema em que vivemos, como os recentes Um cabra bom de bola - comentado aqui, Zootopia ou o já clássico Procurando Nemo, Cara de um, focinho de outro começa mostrando as relações próprias do mundo animal, mas é aí que há um problema.
Aqui os animais começam revelando a Mabel que os bichos podem se comer para sobreviver, mas depois é defendida uma harmonia que nem sempre está de acordo com os instintos animais.
Além disso a vilania muda de lugar, primeiro no prefeito vaidoso e ganancioso, mas que Mapel consegue conscientizar, aí a harmonia passa a ser ameaçada então por um inseto que quer se vingar por todas as vezes em que semelhantes foram esmagados.
Os esmagamentos não são postos como a "lei das selvas". E a real selvageria de se destruir meios-ambientes para espaços otimizados para carros é colocada como uma questão pontual que o filme resolve em um final feliz.
A discussão sistêmica que urge, sobre por que se tenta subjugar outras espécies e a que ponto estamos colapsando o planeta numa busca infinita de fartura e comodidade (isso sem dizer para quem está indo essa riqueza e conforto) fica de fora.
Filmes infantis não precisam nem devem ser aulas políticas, mas a reflexão poderia ir além, claro que em tempos bélicos e de intolerância, é esperar demais de um filme mainstream norte-americano, fiquemos então com o encanto e diversão que ele proporciona!

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