sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Aqui é o meu lugar (This must be the place) - Paolo Sorrentino

    Paolo Sorrentino é um diretor ambicioso, de temas profundos, questões universais, linguagem hermética e estética pretenciosa, que traz filmes excêntricos e singulares... Herdeiro de Fellini talvez? 

    Sorrentino começou a ganhar mais destaque com As consequências do amor, e foi consagrado com A grande beleza - já comentado aqui, pelo qual ganhou BAFTA, Globo de ouro e Oscar. Desde então seus filmes entraram no radar do público e com isso, ao invés de firmar uma linguagem, ele seguiu brincando e explorando com seus filmes.

    Por exemplo no seu mais recente A graça - também comentado aqui, mas em filmes como Aqui é o meu lugar.

    Neste filme Sorrentino cria um universo B para o mundo pop, algo que também vemos em Juventude. Ele transforma Sean Penn em um roqueiro em decadência, que vive a vida de maneira caricata e desafetada, mas no percurso se depara com a morte do pai e revelações de sua vida.

    A partir daí o roqueiro vai em busca do passado do pai, mas não com motivações claras e emocionadas, ele apenas parece ganhar um rumo para sua personalidade perdida. Os afetos seguem desencontrados, assim como as cenas e os temas apresentados.

    Não há encadeamentos organizados, nem progressão narrativa, mas há cenas graciosas, ou pela excentricidade e comicidade, ou pela ternura e singeleza. 

   Sean Penn, Frances Mc Dormand ou mesmo a participação especial de David Byrne colaboram com isso.

    Nos instigamos e nos entretemos filme adentro, mas ao final não sabemos se chegamos a muitos lugares.

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