Cabo do medo foi um filme de muita potência e impacto, filmado por Martin Scorcese em 1991 e estrelado por Robert de Niro, Jessica Lange, Nick Nolte e uma jovem Juliette Lewis.
O suspense baseado no livro de John D. MacDonald apresenta Max, um homem que sai da prisão após cumprir uma pena de 14 anos que poderia não ter sido sentenciada com as provas que seu advogado retem, ele se aproxima então da família do advogado e nos deixa na tensão de se haverá uma vingança e qual poderá ser.
Com essa premissa envolvente, atores talentosos e uma direção precisa, o filme é uma experiência muito eletrizante.
Portanto, o projeto de transformar Cabo do medo em série soa promissor e a aposta de Nick Atosca, com sua experiência em filmes de suspense e terror lhe dava crédito. E ele soube explorar muito bem a estética, não só no elenco, mas também na trilha e fotografia.
Há espaço na trama para: se contar mais do que Max pode ter vivido na prisão, nos aproximarmos mais da família e, com isso, vivermos mais de perto toda a tensão com o reaparecimento dele...
Os primeiros episódios são envolventes, principalmente com a figura de Javier Barden que realmente se destaca em sua atuação.
Entretanto, com o decorrer dos episódios, a série não se contenta em adensar a história daquelas personagens, traz outras - irmãos, filhos, exs, amantes, colegas de trabalho, de escola etc. E a cada nova personagem há novos elementos e possíveis tragédias.
Todas as personagens se desequilibram: são ou vulneráveis demais, ou descontroladamente agressivas, têm motivos para vinganças e assassinatos e nos deixam apreensivos e desconfiados.
Mas o pior é não ter personagens afetuosas, elas não parecem verdadeiras, há uma frieza e desconfiança que paira no ar, uma desumanização que pode ser interessante para manter um suspense, mas não para trazer verossimilhança e empatizarmos. Não somos instigados a querer entender essas pessoas e torcer por elas, não há chance de adensarmos em suas psiques e o terror psicológico resulta frágil. Assim, a série traz vários acréscimos, mas acaba perdendo muito no caminho.