sexta-feira, 23 de outubro de 2026

17 - Kosara Mitic

     São poucas as referências que nos chegam do cinema da Macedônia, mas temos a excelente referência de Antes da chuva de Milcho Manchevski. Agora recebemos aqui, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo o potente 17, da jovem Kosara Mitic.

    Kosara se inspira numa história real, de uma jovem universitária que deu a luz a um bebê em um banheiro público sem saber que estava grávida.

    Aqui vemos uma turma de adolescentes numa viagem de formatura da Macedônia até a Grécia, na qual desde a partida tudo parece estar ponto de fugir do controle. Faz lembrar o já clássico Kids, de Larry Clark, exibido na Mostra de 1995. 

    Para quem não conhece a cultura macedonia fica a dúvida do quão desenfreados estão seus adolescentes, se os professores e outras autoridades realmente não conseguem impor limites e se são possíveis tantas situações de violência e abusos.

    Acompanhamos tudo ao lado da protagonista Sara, vivida por Eva Kostic. A escolha da janela de exibição quadrada e os incansáveis closes na personagem tornam a narrativa extremamente intimista: suas expressões intensas de angustia, perplexidade, raiva e dor parecem sublinhadas a todo momento.

    Antes da viagem Sara sofre uma violência sexual e tem que conviver com os agressores, sem saber ao certo o que aconteceu por conta das drogas e álcool, depois tem que lidar com o bullying, as disputas afetivas e o gatilho de outros possíveis abusos.

    A ameaça de abuso também se aproxima de uma colega muito vulnerável que Sara tenta proteger, surgindo uma amizade improvável.

    O jeito hostil mas protetor de Sara nos deixa intrigados, estabelecemos uma relação ambivalente, que começa com estranhamento, mas termina com nossa empatia e emoção. Um raro exemplo de como uma abordagem crua pode itensificar nossa relação com um filme!

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