segunda-feira, 20 de julho de 2026

Toy Story (John Lasseter / Ash Brannon / Lee Unkrich / Josh Cooley / McKenna Harris / Andrew Stanton)

     A série Toy Story parte sempre da premissa de mundos de fantasia criados pelas crianças e seus brinquedos, com isso seus criadores sempre fizeram uma homenagem à história dos brinquedos, dando vida e reverenciando clássicos de muitas infâncias, como o brinquedo de se montar o rosto de uma cabeça de batata, carros, dinossauros, soldadinhos, até chegarem em Barbies e tablets.

    No primeiro filme, criado por John Lasseter, há mais de 20 anos, o ponto de partida era do boneco Woody que tinha que dividir seu posto de brinquedo preferido com o boneco Buzz Lightyear e nas brigas acabam se perdendo da criança e passam por muitas aventuras até retornarem à casa.

   
    Com o sucesso, quatro anos depois veio a continuação, fazendo de Woody um objeto de desejo de colecionador no filme e na vida real. A trama novamente é de resgate, mas o atrativo vem de novas personagens introduzidas à trama, como a cowgirl Jessie.

    Dez anos depois veio o terceiro filme, que foi inteligente em criar um roteiro que com novas aventuras pudesse atrair novos públicos infantis, mas que também apelasse à nostalgia das crianças dos anos 90 que já se sentissem grandes, como o garoto Andy, que aqui está indo pra faculdade e se prepara para se despedir de seus brinquedos, os ameaçando de serem levados para centros de doação de brinquedos até serem apresentados a uma nova criança: a pequena Bonnie.

    Mais recentemente veio o quarto filme da série, quando os brinquedos já vivem com Bonnie, convivem com brinquedos de sucata e vão acompanhá-la em suas férias, ou seja, o risco de novos ambientes e de serem perdidos fica muito presente.

    Em 2026 vem o quinto filme, com diretores e roteiristas totalmente novos, mas ainda mantendo muitos dos astros originais, como Tom Hanks na voz de Woody ou Joan Cusack na voz de Jessie, a trama se atualiza com uma crise muito atual, dos brinquedos perdendo espaço na vida das crianças para as telas. 

   A vilã é um tablet e a socialização passando pelas redes sociais, os brinquedos tentam enfrentar essa crise, valorizando as crianças que sabem fazer seus mundos de faz de conta. As personagens que aparecem perdidas e que não têm função nessa história parecem ser os pais, deflagrando uma crise de nossos tempos, em que os pais têm realmente dificuldade em mediar o desejo de seus filhos de participarem de um mundo automatizado, mas não deixá-los hipnotizados e robotizados.

    A premissa mais do que interessante, é importante de ser abordada. Entretanto o filme tem seus desequilíbrios, querendo apresentar questões demais e não tendo tempo e espaço para explorar todas, como a memória das relações entre brinquedos e as crianças crescidas. Acaba entrando justamente em certo frenesi de mudança de cenas que diz sobre o tempo ansioso e multitarefa em que vivemos.

    Mas vale a experiência, que se destaca pela crítica, mensagem e seus bons protagonistas, eles seguem cativando e nos atraindo, seja ao público original do filme de 1995, ou dos que estão chegando agora, no mundo de Toy Story, em 2026.

    

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