sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Anniversary: Mudança Radical (Anniversary) - Jan Komasa

    Anniversary traz o tema bastante atual sobre o desejo de sociedades organizadas e conservadoras que precisam deter e banir membros que não estejam dentro de padrões, porém não traz novidades em na premissa, nem na narrativa. As personagens têm uma construção rasa e maniqueísta e, assim, não nos envolve tanto.

   

A jovem Elizabeth, se aproxima de uma família com quem já tinha contato. Está namorando o filho de sua professora de faculdade para quem havia apresentado seu projeto de nova sociedade mas por quem havia sido duramente criticada.

    O novo contato com a professora Ellen vem então cheio de ambiguidade: espera de reconhecimento por alguém que ela admira e que havia a rejeitado? Vingança pela exposição que sofreu? Tentativa de se reapresentar e ser aceita?

    Ficamos com essas questões e as vivemos ao lado de Ellen, a mãe que não se rende à educação e gentileza da nora, por quem mantem desconfiança e desprezo.

    Em paralelo vemos como os outros membros da família vão se movimentando, o pai tentando conciliar, duas irmãs a desprezando e a caçula ficando curiosa. 

    Um começo com muito potencial para desenvolver esses sonhos de sociedade e o que revelam dos afetos: as aberturas, os preconceitos, as admirações, invejas, desprezos, medos... Afetos que nos envolvem em tempos de polarizações e fascismos.

   Entretanto, ao invés de aprofundar essa construção, como obras como O conto de aia faz brilhantemente, aqui ficamos na promessa.

    O novo projeto de sociedade vai se consolidando sem que vejamos sua construção, a informação vem pronta, dada, como um anúncio e sem ser visto a partir de cenas. Ficamos em uma linguagem correta porém um pouco asséptica, talvez como o projeto dessa nova sociedade.

   
Da mesma maneira a movimentação das personagens, não vivemos uma progressão ou mudança de afetos, apenas uma radicalização do que foi anunciado, novamente vemos a protagonista Diane Lane em uma interpretação sem curvas (como em Deixe ele partir, comentado aqui) e até atrizes como Madeline Brewer, de quem temos um registro visceral por seu trabalho em Conto de aia, parece apenas uma jovem  rebelde de um jeito clichê.

    A narrativa resulta empobrecida e de certa forma gratuita. Uma pena, pois é preciso falar do fascismo e seus profundos apelos e nuances.

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