Sempre há espaço para filmes de perdas em família pois há tanto para se elaborar com essas dores, que podemos compartilhar diferentes narrativas e ainda nos envolver, emocionar e surpreender.
E em Deixe ele partir há uma situação bastante interessante: do neto de um filho que falece e que vai morar com a mãe e seu novo marido. Mas a vida da nova família se coloca distante e a vó paterna quer se manter perto, também como uma reparação pela perda do filho.
Entretanto o que poderia ser um filme da intensidade na sutileza, do desvendamento sobre o vazio, se torna um filme sobre obstinação e orgulhos, numa busca e perseguição pelo paradeiro da criança.
Um embate entre esses dois avós paternos, protagonizados por Diane Lane e Kevin Costner, e uma família rústica e embrutecida pelas adversidades da vida nos anos 60 em regiões remotas dos Estados Unidos.
O filme parece querer dialogar com o universo do faroeste de Clint Eastwood, mas não nos aproxima o suficiente desses corações e mentes. As personagens estão mal construídas, não hesitam, não têm nuances... E assim não chegamos a lugares sublimes como Clint no coloca, por exemplo com o romance de As pontes de Madison, com o hermitão de Gran Torino ou o pai angustiado e em luto de Sobre meninos e lobos. (Filme recente que se aproxima mais desse lugar talvez seja o bonito Sonhos de trem também comentado aqui).
Deixe ele partir ameaça emocionar e instigar, mas fica em um lugar intermediário, traz uma boa premissa, um contexto interessante, inclusive abordando atrocidades imputadas aos indígenas americanos e os machismos da época, mas se perde no caminho.

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