Pedro Almodóvar tem talento inegável para tramas novelescas com tintas carregadas. São premissas dramáticas e melodramáticas, atores em intensidade e toda a estética acompanhando esse arroubo de emoções: cores, cenários, fotografias, músicas...
Parece o caso justamente exemplos autobiográficos percam essa força e precisão, como foi o caso de Má educação ou o recente Natal amargo.
Ambos aparecem em busca de sentido para suas vidas, se apoiando em relações estáveis, mas se distraindo e se encantando com possíveis novidades... Encantamentos que arriscam descartamentos... E por isso também sofrem críticas...
A trama rocambolesca tem sua graça, mas quando sentimos muito a mão do diretor, com pausas e olhares artificiais, um ritmo que tira a fluidez do filme e torna as personagens em muitos momentos caricatas, inverossímeis, ou até infantis (colocando mãos no coração em momentos de dor) aí arrisca desconectar espectadores.
Talvez com uma amarração um pouco mais densa, que explorasse premissas tão ricas no interessante ambiente almodovariano (de suas cores sólidas e intensas escolhidas a dedo), poderíamos desfrutar mais.

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