terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Argentina 1985 - Santiago Mitre

    Santiago Mitre já havia se inscrito em temas político, contra injustiças sociais e imerso no ambiente da justiça. Trouxe essas temáticas nos filmes de Pablo Trapero que roteirizou e também em seu longa Paulina, já comentado aqui.


    Em Argentina 1985 Santiago tematiza uma passagem da Argentina do tempo de sua infância, quando a dura ditadura vivida em seu país recebeu um julgamento.

    O filme é bem didático, traz o passo a passo do julgamento e apresenta os principais envolvidos. Talvez pudesse adensar mais as personagens e explorar mais as situações, mas apenas trazer o básico já foi bastante importante.

    Argentina 1985 faz pensar e rememorar. Dá uma aula sobre a importância da revisão história de acontecimentos importantes como um golpe militar, um governo autoritário, sangrento e que ignora leis. Vale em especial para brasileiros que não olharam de frente essa passagem da história, que em sua luta pela anistia dos guerrilheiros contra a ditadura acabou aceitando a anistia ampla, geral e irrestrita. 

    Não nos confrontamos com nossos traumas, adotamos a postura do "deixa disso" (que volta até hoje em novas situações e roupagens), não analisamos nossas posturas, nosso comportamento, nosso desejo, nossa repressão, nossas feridas. Como curá-las então? Não temos vitórias como essa da Argentina, mas temos muito a resgatar e contar. E nosso cinema também nos ajuda em inúmeros exemplos, seja em filmes do início da retomada do cinema brasileiro como Lamarca ou O que é isso companheiro? Filmes dos anos 2000 como Hoje - já comentado aqui. Ou até filmes em que esse é o contexto de fundo como Tatuagem ou Meu nome é Gal - também comentados no blog. Ou ainda nos sucessos recentes como Ainda estou aqui ou Agente Secreto. E que siga em mais produções, para seguirmos a máxima de Freud de "repetir, recordar e elaborar".

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