quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Foi apenas um acidente - Jafar Panahi

    Jafar Panahi tem se mostrado um cineasta incansável: artista inquieto e criativo, não para sua expressão apenas pela arte, mas para registrar e denunciar o momento político do Irã e que, em contrapartida, geram interesse não apenas como obras de artísticas, mas como documentos históricos.

    Se distanciando de um início mais puro e bucólico como o maravilhoso Balão Branco, Jafar vem se consolidando com seus filmes clandestinos, que ele faz enquanto está preso ou de maneira escondida, com a importante colaboração de parceiros ao redor do mundo. É o caso de Isto não é um filme e Cortinas Fechadas - já comentados aqui e é o caso de seu filme mais recente: Foi apenas um acidente.

    
    O filme traz um homem que reconhece uma autoridade do regime e que o torturou. Ele pensa em se vingar, mas hesita, com dúvida de se tratar realmente de seu torturador. Ele vai em busca de outras pessoas que possam ajudar a confirmar a identidade do homem e acaba reunindo outras pessoas que foram torturadas pelo regime.

    

    O filme, feito clandestinamente, vai trazendo pequenos conflitos dessa trajetória, em registros quase documentais, muitas vezes pendendo para o cômico.

    Mas o que a obra traz de mais especial são seus diálogos, a conversa entre as vítimas sobre as prisões, as torturas e como buscar mudança: é pela vingança? É pelo esquecimento? É pelo perdão?

    O filme não aprofunda muito as questões e muito menos traz as respostas, mas certamente sensibiliza para o tema, nos sensibiliza para suas dimensões históricas, políticas, éticas e também as dimensões psicológicas.

    Singelo, bonito e muito necessário, por isso principalmente que parece atrair tanta simpatia e reconhecimento no mundo todo, conquistando a palma de cannes e concorrendo ao oscar, por exemplo.

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