Jafar Panahi tem se mostrado um cineasta incansável: artista inquieto e criativo, não para sua expressão apenas pela arte, mas para registrar e denunciar o momento político do Irã e que, em contrapartida, geram interesse não apenas como obras de artísticas, mas como documentos históricos.
Se distanciando de um início mais puro e bucólico como o maravilhoso Balão Branco, Jafar vem se consolidando com seus filmes clandestinos, que ele faz enquanto está preso ou de maneira escondida, com a importante colaboração de parceiros ao redor do mundo. É o caso de Isto não é um filme e Cortinas Fechadas - já comentados aqui e é o caso de seu filme mais recente: Foi apenas um acidente.
O filme, feito clandestinamente, vai trazendo pequenos conflitos dessa trajetória, em registros quase documentais, muitas vezes pendendo para o cômico.
Mas o que a obra traz de mais especial são seus diálogos, a conversa entre as vítimas sobre as prisões, as torturas e como buscar mudança: é pela vingança? É pelo esquecimento? É pelo perdão?
O filme não aprofunda muito as questões e muito menos traz as respostas, mas certamente sensibiliza para o tema, nos sensibiliza para suas dimensões históricas, políticas, éticas e também as dimensões psicológicas.

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