domingo, 13 de novembro de 2011

O Palhaço - Selton Mello



Hoje tem goiabada? Tem sim, senhor!

Um dos maiores atores da nova safra de talentos brasileiros, com dezenas de filmes na carreira, Selton Mello tem também ambições autorais.


Seja recriando diálogos e improvisando com suas personagens (por exemplo de O Cheiro do Ralo da adaptação de Heitor Dhalia para o excelente livro de Lourenço Mutarelli
Meu nome não é Johnny de Mauro Lima, ou em O Auto da Compadecida da adaptação de Guel Arraes para Ariano Suassuna); 


Seja trabalhando como entrevistador (Tarja Preta), seja co-produzindo obras em que acredita, ou, claro, criando seus próprios filmes.

Selton revela uma mente inquieta e sensível com muito a compartilhar.

Por exemplo: o universo de O Palhaço, seu segundo longa, que mais do que trazer os bastidores do circo e homenagear artistas e comediantes brasileiros, parece falar da dura vida artística. 



Além de dirigir, Selton protagoniza a trama na qual o palhaço Pangaré, filho e parceiro de Puro Sangue, vivido pelo exemplar Paulo José
é administrador de uma grande trupe de palhaços, bailarinas, domadores e afins, parece cansado das intempéries da vida na estrada e seus imprevistos, dificuldades e restrições.

Selton opta por um filme sem grandes ações dramáticas, mas exagera ao não compartilhar mais de perto os sonhos e as angústias de sua personagem.

Por exemplo, um de seus maiores desejos é um ventilador, mas ele não explora a sensação de calor e as cenas não nos levam a compartilhar esse desejo, o que acaba fazendo com que sua busca se enfraqueça.

Acho uma pena pois realmente o universo é muito rico (já vimos em um de nossos clássicos nacionais, Bye, Bye Brasil, de Cacá Diegues), pois a opção do filme e das personagens mais monotônicas podem trazer grande comicidade e compaixão, principalmente com o ótimo elenco reunido e com a qualidade técnica do filme, exemplificada por exemplo pelo trabalho de arte e fotografia primorosos... 



Mas meu mergulho no filme acaba não se aprofundando... Ficam os aplausos pelo belo espetáculo, mas um desejo de quero mais!


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