O diretor russo Andrey Zvyagintsev já havia mostrado seu talento na construção de personagens densos e instigantes em filmes como O Retorno e Elena, já comentados aqui.
Agora Zvyagintsev nos apresenta sua versão para o mito de Leviatã, monstro com várias passagens por diferentes culturas e simbologias, por exemplo a do demônio da inveja.
Em uma pequena cidade de uma bela Rússia entre montanhas e lagos, vive o mecânico Nikolai e sua família. A vida humilde e tranquila em que vivem já começa ameaçada por um despejo.

Quem tenta despejar Nikolai é um governante local, poderoso e influente graças à sua cobiça e falta de escrúpulos.
Fazendo lembrar o universo de O Idiota - recém comentado aqui - e reforçando a ideia de crise pela qual passa a Rússia em sua frustração pós revolução e tentativas de um regime socialista e que a levaram a um mundo de desigualdades, corrupção, desamparo e violências de toda sorte.
Nikolai passa a contar apenas com a ajuda de Dmitri, mas o desejo entre ele e a mulher de Nikolai também ruem essa relação.
Toda a vida de Nikolai parece ir sendo pouco a pouco devorada (por Leviatã?), o deixando só e miserável e parecendo não haver como escapar de um fim trágico.

A decupagem e a construção dos espaços (os construídos - e destruídos - ou os naturais), imagens, sons e ritmo precisamente trabalhados são também qualidades do filme.
Mas um dos destaques é sem dúvida o trabalho de atores. Seja pelo protagonista vivido por Aleksey Serebryakov, de Cargo 200, por exemplo, também comentado aqui;
O adolescente que interpreta o filho, Vladimir Vdovichenkov que interpreta o amigo ou Elena Lyadova que interpreta sua mulher: uma das personagens mais misteriosas e densas do filme.
O adolescente que interpreta o filho, Vladimir Vdovichenkov que interpreta o amigo ou Elena Lyadova que interpreta sua mulher: uma das personagens mais misteriosas e densas do filme.
A maior qualidade de Leviatã não é da história construída pelo que é dito e mostrado, mas pelo que fica para ser revelado. As lacunas, os silêncios, as angústias etéreas.
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