E por falar em Filipinas, um dos filmes mais marcantes que vi ano passado foi o tailandês Tio Boonmee - que pode recordar suas vidas passadas.
Há alguns anos não deixo de comentar nenhum filme que assisto no cinema aqui, mas esse ficou nos "rascunhos" esperando sua vez... E não por haverem tantos na fila nem nada, mas por falta de palavras mesmo...
O filme é tão diferente, acompanha uma lógica tão distinta da nossa, traz alegorias tão fortes, tantos mistérios, enigmas e vida... Fiquei sem palavras...
Ao ver fiquei impregnada de uma simplicidade da vida do campo, somada a certa postura oriental (de respeitar e se aliar a natureza, talvez).
Fiquei também surpresa com a proximidade que senti entre seus mitos e nossos mitos indígenas (por exemplo da moça sendo enfeitiçada por um peixe em pleno rio... tal qual a história de nosso boto...), isso talvez seja ainda mais reforçado pela paisagem de mata muito parecida e inclusive pelas feições (quando vemos alguns orientais vemos clara a possibilidade mais longínqua de nossos antepassados).
O filme que fala sobre a morte traz ainda reflexões bem poéticas, como "os fantasmas não estão ligados a lugares, mas a pessoas".
E assim as misturas de seres realistas e seres fantásticos convivem bem, em cenas cotidianas, intimistas e de grande beleza...
E assim as misturas de seres realistas e seres fantásticos convivem bem, em cenas cotidianas, intimistas e de grande beleza...
A beleza está no simples, e por isso me choca, e por isso me deixa sem palavras... Os ritos são outros, as crenças são outras, o ritmo é outro... Mas é belo e me emociona!
Tocada por esse estranhamento e inclusive por um final já mais crítico e mais próximo e sem muita poesia: a família que estava na mata, vivendo com a natureza, com os fantasmas, em um ritmo próprio, talvez podendo ser visto até como primitivo (?), e por isso chegam num choque na "cidade grande".
Ali confrontos entre as pessoas e a televisão: entre o mundo árido, opressor e turbulento de fora e o turbulento de dentro de nós, muito mais frutífero (e verde no filme)... E isso sem discurso, apenas com imagens e o viver das personagens (não com o que sentem, falam, desejam...)
O filme passa das sombras da floresta à luz azulada do televisor... E me deixa perdida, em algum lugar no meio do caminho...
Um apertitivo no trailer!
E palmas (minhas, de cannes, e de quem mais quiser) a Apichatpong Weerasethakul! E que siga espirituoso em seu próximo rebento cinematográfico!
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