O grego Yorgos Lanthimos é um nome forte da cinematografia atual, sempre muito criativo e impactante tem conquistado terreno mundo afora.
Ele começou a ganhar destaque com o potente e intimista Dente Canino, já comentado aqui e há uns dez anos vem filmando com estrelas americanas e ampliando seu público.
Com Pobres criaturas veio o maior impacto, trazendo aos filmes uma abordagem mais fantástica, fazendo lembrar inclusive o Ladrão de Sonhos de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. O filme fez sucesso entre público e crítica e mesmo sendo controverso conquistou prêmios de Veneza à Hollywood.
Em Bugonia Lanthimos repete a escalação de um elenco talentoso com Emma Stone e Jesse Plemons que trazem força e estranheza à narrativa.
Um jovem traumatizado que já não confia no mundo, mas em teorias da conspiração, sequestrando uma importante empresária, que ele desconfia ser uma alienígena.
O conflito é simples, mas os diálogos beirando o nonsense são ricos e instigantes, nos fazendo pensar no absurdo de ganâncias e negacionismos a que chegamos - nesse ponto lembra inclusive o filme Não olhe para cima, de Adam McKay.
Também são divertidas as referências a outros filmes, como ET de Steven Spielberg, nas cenas de bicicleta, que são mais realistas e se cruzam com uma estética entre o tosco fantasioso e a ficção científica.
A fragilidade e violência que nos cerca em Bugonia, diferente da indigestão de Sirat, recentemente comentado aqui, nos chega com acidez e ironia.

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