Célia Catunda tem participado de importantes animações brasileiras como as séries Show da Luna, Peixonauta, Tarsilinha... Sua produtora tem quase 40 anos e com isso um histórico de muita garra, talento e persistência para seguir trabalhando com audiovisual e num segmento que quando não há uma indústria por trás é de um artesanato muito laborioso!
Seu trabalho mais recente, o longa Eu e meu avô Nihonjin dos roteiristas Oscar Nakasato e Rita Catunda mostra essas qualidades. A partir de uma história singela: um menino que quer conhecer suas origens, ele precisa ouvir as histórias de seu avô e remontar seu passado familiar.
A estrutura narrativa é extremamente simples: uma lição de casa como ponto de partida e encontros com o avô que vão contando pouco a pouco sobre a vinda dos antepassados do Japão para o Brasil, as dificuldades do início da instalação da família, a adaptação...
Há um didatismo na narração: tanto nos aspectos históricos quanto nos aspectos emocionais: há personagens muito bem delineadas que mostram os conflitos, a chegada sem dinheiro e vida em servidão, o compartilhar com outros imigrantes sem entender a língua, o respeito aos valores de origem e a abertura a outras culturas, o posicionamento durante a 2a Guerra, os preconceitos sofridos, o desafio entre se instalar num país e fazer valer seu conhecimento de nação... Contrastes culturais, medos e conquistas típicos de imigrantes e que tipicamente provocam conflitos dentro da própria família, entre aqueles que reforçam ainda mais as origens e aqueles que tentam esquecer para se adaptar melhor.
Afetos básicos e complexos ao mesmo tempo, que construídos em ritmo lento e suave contribui no didatismo da narrativa, e que, somados aos belos traços da animação podem cativar o público infantil.

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