sexta-feira, 24 de abril de 2026

Papagaios - Douglas Soares

    

    Primeiro longa do roteirista e diretor Douglas Soares, Papagaios tem argumento original e construção de clima envolventes.

    O filme se desenvolve a partir da personagem Tunico, vivida por Gero Camilo, que faz a vida em busca de cinco segundos de fama. Ele está sempre atrás de reportagens, literalmente, tentando aparecer no fundo das cenas, em especial funerais, daí o título, referência a "papagaios de pirata".

    Tunico é uma figura magnética, entre o repulsivo e o excêntrico, que atrai a atenção do jovem Borges, vivido por Roney Villela, e assim se aproximam. Borges se torna uma espécie de pupilo de Tunico, em uma relação estranha: não sabemos se há admiração, inveja, desejo, raiva... Tudo de maneira misturada, em nuances e ao mesmo tempo muita intensidade.

    O que talvez falte é um ritmo e ações que nos leve a uma aproximação gradual, que possam manter o suspense, mas ajudem a construir essas psiques doentias, como informações que dessem mais pistas das  vivências e intenções por trás dessas personalidades. A complexidade da relação das pessoas com a vida pública e a fama está lá, o reconhecimento da psicopatia também, mas essas questões poderiam estar um pouco mais desenvolvidas para que o thriller fosse ainda mais denso e eletrizante. Não sabemos muito sobre seus passados, não vemos muitas justificativas para seus atos.

    Fica esse desejo de mais desenvolvimento psicológico, mas com o reconnhecimento do experimento criativo dentro de um gênero em geral com muitos clichês e poucos exemplos no cinema nacional.

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