quinta-feira, 2 de abril de 2026

Os anos novos (Los años nuevos) - Sara Cano, Paula Fabra e Rodrigo Sorogoyen

A série Os anos novos investe em personagens carismáticos vivendo conflitos realistas e cotidianos para envolver o espectador.


    Começa em cenas de apresentação e sedução de uma relação, depois os primeiros conflitos, passando ao desejo de se reconectar, até desencontros de momentos de vida e a expectativa do final feliz.

    Assim como na série Um dia - recém comentada aqui, lançada dois anos antes, Os anos novos também traz cada episódio correspondendo a um ano, um reveillon, e, assim, a temporada discorrendo sobre dez anos na vida das personagens.

Porém aqui a busca é mais de um mergulho na vida de Ana e Oscar e nas possibilidades de enlaçamento deles, lembrando mais a série - filmográfica - de Richard Linklater: que começa num Antes do amanhecer, passa ao Por do sol, para chegar na virada da Meia-noite

Ali há uma radicalidade do investimento nos diálogos, num tempo muito realista e um encadeamento quase de associação livre, que a faz mais instigante e original. Não há uma seletividade das falas em prol de uma dramaturgia mais afiada, o encanto está em se deixar envolver pela conexão e aleatoriedade de temas que coexistem nas personagens vividas por Ethan Hawke e Julie Delpy - saiba mais aqui.

    Aqui também há uma ênfase nos diálogos, mas eles são um pouco mais "funcionais", relatam mais o passar dos anos e deixam menos espaço para lacunas. Mas as temáticas intercalam com detalhes cotidianos e singelos.

    Os anos novos traz Ana, uma garota extrovertida, que ainda não encontrou um foco na vida e está temerosa em tomar passos e se arriscar. E Oscar, um rapaz mais sério e responsável, mas bastante solidário e parceiro.

    (Casal que lembra também outra obra de sucesso recente: A pior pessoa do mundo - também comentada aqui).

    Porém aqui a série se perde um pouco ao trazer um amadurecimento de Ana e que não é acompanhada por Oscar. Ela se arrisca em desejos, vai atrás deles e aprofunda sua caminhada. Já Oscar não muda muito e acaba pautado por certo ressentimento.

   
A empatia então pelo casal e a torcida pelo "final feliz" se desgastam um pouco, mas as cenas bem filmadas e a boa atuação e direção de atores nos mantém conectados e curiosos do desfecho, como em séries adolescentes e comédias românticas, mas aqui com um pouco mais de profundidade. 
Há potencial para uma grande trama, mas o resultado está mais para uma série agradável.

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