Steve Conrad parece gostar de histórias emocionantes e com excentricidades, por exemplo no roteiro do filme Wonder, sobre um menino sindrômico, mas que, na direção de Stephen Chbosky, o melodrama transborda um pouco.
A trama envolvendo um trio romântico de meia idade é envolvente e surpreendente. A maneira como eles vão se conhecendo e relações se estabelecendo adensadas com a morte de um deles instiga e conecta o espectador.
A história, mais do que acompanhar a investigação dessa tragédia e seu possível julgamento, mergulha nas personagens, onde o que marca é o ritmo que os atores imprimem.
O tempo da série parece ralentado, mas não é apenas por uma questão de velocidade, e sim um sublinhar das falas e reações das personagens. Efeito reforçado pelas cenas "dialogadas" em linguagem de sinais e seu silêncio eloquente e expressivo.
Em DTF St Louis a construção marca mais certa perplexidade. As personagens falam como quem transborda o que lhes vem à cabeça, numa sinceridade ingênua e pueril, só que os interlocutores ao invés de estranharem, rechaçarem, enquadrarem ou ridicularizarem o outro, elas acolhem o que é dito.
Pouco a pouco vamos descobrindo a afetividade de cada personagem e o encantamento que se produz a partir daí: Floyd, o homem amoroso com uma carreira fracassada, casado com Carol, uma mulher ambiciosa e batalhadora, mãe de um menino com dificuldades de interação, que conhecem Clark, um homem de mais êxito profissional, mas extremamente solitário. E os investigadores, que começam frios e distanciados, mas que se enredam na trama.
Eles interagem e se apresentam com detalhes e declarações simples (mas daquela simplicidade que poderia estar em poemas e canções). E a direção emoldura cada pequeno gesto e dá espaço para as atuações se destacarem (em todos os sentidos). Assim vamos nos comovendo com as personagens e nos apaixonando junto com elas.
Por exemplo o fracasso de Floyd que endivida toda a família, a ambição de Carol que passsa a desprezar Floyd, as tentativas de ajudar de Clark, mas que expõem e humilham os outros dois.
Assim esses heróis passam a parecer vilões e depois voltam a parecer heróis e terminam sendo extremamente humanos, numa afetividade que se fragiliza frente a um mundo tão árido, até indicando certa crítica a uma sociedade (em particular a norte-americana) que endivida sua população, que não dá muita oportunidade de trabalho, que não incentiva nem acolhe a diferença, que promove bullyigs e competitividade desde a infância...
Uma série sobre encontro, mas também sobre um tempo em que se sucumbe às próprias fragilidades.

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