Estreia na ficção de Mariana Brennand, que já havia feito trabalhos documentais como o filme sobre o seu tio, o importante artista plástico Francisco Brennand (já comentado aqui), Manas também surgiu como um projeto documental.
Mariana queria investigar a exploração sexual de meninas no norte do país, entretanto se deu conta de que ninguém ali gostaria de falar sobre o assunto e se retraumatizar com a experiência e também seria mais difícil identificar e responsabilizar os criminosos. Assim a ficção lhe pareceu um caminho, e que ela trilhou talentosamente.
Falar sobre meninas prostituídas poderia ter ficado panfletário ou brega demais, mas ela soube dosar: construiu uma personagem densa, com ambiguidades não apenas entre o ser menina e ser mulher, mas entre a ignorância e o desejar, o querer ser desejada e estar longe do desejo. Ela não é colocada como inocente, tem a complexidade de quem entende algo, mas não entende tudo, em que tem interesses, mas onde é vítima.
São silêncios que compõe o filme, que lhe dão forma e que ornam com o ambiente amazônico em que se passa a trama.
A beleza está lá e assim a corrupção dessa beleza se torna ainda mais dramática.

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