quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Hacks - Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky


    Hacks caminha já para sua 5a temporada, um sucesso desde sua estreia, com muito público e prêmios. É mais uma série metalinguística sobre a indústria audiovisual, a trama aqui é sobre o desenvolvimento de programas para a comediante Deborah Vance interpretada por Jean Smart, em sua busca por recolocações e tentativas de se manter ou até ascender em seu sucesso, assim conhece a roteirista em início de carreira Ava Daniels, vivida por Hannah Einbinder.

    A série explora muito bem situações do showbusiness, abordando principalmente a construção do humor: a ironia, a acidez, as críticas, o limiar com ofensas, preconceitos, moralismos...

    E o que cativa nessa série nessa construção é a relação entre as protagonistas, que também se criticam, se ofendem, mas aprendem muito uma com a outra. Elas acabam se alimentando em suas trajetórias e vão criando uma afeição cheia de ambiguidades.

    O público transita com elas, entre defesas e ataques, empatias e antipatias, torcidas contra e torcidas pró. Com isso acaba sendo seduzido menos por Hollywood e mais pela intimidade das personagens, por seus aspectos mundanos e cotidianos, não são as produções milionárias, os picos de audiência, os produtos em franquia, os prêmios e reconhecimentos, mas o desejo de amar e ser amada de Deborah e Ava.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Manas - Marianna Brennand

    Estreia na ficção de Mariana Brennand, que já havia feito trabalhos documentais como o filme sobre o seu tio, o importante artista plástico Francisco Brennand (já comentado aqui), Manas também surgiu como um projeto documental.

    Mariana queria investigar a exploração sexual de meninas no norte do país, entretanto se deu conta de que ninguém ali gostaria de falar sobre o assunto e se retraumatizar com a experiência e também seria mais difícil identificar e responsabilizar os criminosos. Assim a ficção lhe pareceu um caminho, e que ela trilhou talentosamente.

    Falar sobre meninas prostituídas poderia ter ficado panfletário ou brega demais, mas ela soube dosar: construiu uma personagem densa, com ambiguidades não apenas entre o ser menina e ser mulher, mas entre a ignorância e o desejar, o querer ser desejada e estar longe do desejo. Ela não é colocada como inocente, tem a complexidade de quem entende algo, mas não entende tudo, em que tem interesses, mas onde é vítima.


    O casting para esse trabalho também foi muito bem feito, a menina escolhida para protagonista nos cativa em suas ações e principalmente em seus silêncios. Seu olhar sempre parece dizer muito, mas não nos revela muito sobre o que.

    São silêncios que compõe o filme, que lhe dão forma e que ornam com o ambiente amazônico em que se passa a trama.

    A beleza está lá e assim a corrupção dessa beleza se torna ainda mais dramática.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Dez por cento (Dix pour cent) - Fanny Herrero

    Tantas séries ganharam versões em diferentes países, essa é uma que merecia muito versões locais!
Porque é muito interessante aproveitar pra criar uma narrativa sobre o processo de produção de obras audiovisuais, mas usar os atores reais para fazer caricaturas deles mesmos é uma ideia genial e é feita aqui com muita maestria: com drama, humor, ritmo, sensibilidade.


    São três temporadas curtas cuja espinha dorsal são as personagens que trabalham em uma agência de atores e seu lucro de "dez por cento" sobre os ganhos deles. Assim vemos o cotidiano de disputas por bons trabalhos, pelo sucesso em convites e audições dos atores, pelas boas negociações, os conflitos entre propostas e ideais e buscas pessoais dos atores, a disputa entre agências e agentes diante de cada artista, etc.

    Mas o charme está em, a cada episódio, ter uma grande estrela convidada e explorar suas características: atrizes que querem ser levadas a sério a partir de seus papéis, atrizes que querem ser bem representadas, que têm que enfrentar o envelhecimento ou a solidão, que têm superar a marca de certos papéis... Ou ainda episódios em que se exageram características reais das personagens, como o modo obsessivo-workaholic de Isabelle Hupert, ou a dificuldade diante da pecha de símbolo sexual de Mônica Belucci.

    A série nos traga para sua trama, mas também ecoa todo imaginário que temos com artistas como Cécile de France, Charlotte Gainsbourg, Jean Reno, Juliette Binoche, Sigourney Weaver na fértil cinematografia francesa.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Estúdio (The Studio) - Evan Goldberg, Alex Gregory e Peter Huyck


    Uma série leve e divertida, a primeira temporada conta com 10 episódios que apresentam dilemas internos da indústria audiovisual, por exemplo na  questão da busca de sucessos pessoais, num ambiente muito marcado pela vaidade e pelo ego, onde ter reconhecimento, bajular pessoas reconhecidas e temer se indispor com elas, almejar prêmios, etc. Com esses conflitos temos uma grande trama sendo desenvolvida, com as personagens fixas tentando crescer e se dar bem. 

    Também temos em praticamente todos episódios o conflito entre a busca artística e a busca de lucros, assim incluir ou não merchandising, aceitar ou recusar filmagens mais demoradas e custosas, são exemplos de temas de episódios.

    A série também traz a dificuldade entre se manter em narrativas de temáticas atuais e o cuidado com polêmicas, como o desafio de ser politicamente correto e ainda assim poder apresentar conflitos e dramas.

    Para quem gosta de comédia há muitas cenas parar rir e se divertir, para quem quer adentrar na metalinguagem dos filmes, séries e showbusiness há muitas cenas para dialogar, já para quem quer drama as cenas não se adensam muito e não aprofundam suas temáticas, então deixam a desejar.