Mais uma vez Paolo Sorrentino nos "agracia" com uma personagem densa em um ambiente excêntrico.
As cenas são mais intimistas e menos "vistosas" do que as de filmes anteriores como Juventude ou A grande beleza, já comentados aqui, parecem dialogar mais com o universo dos filmes papais Habemus Papam e Conclave, que trazem a mesma solidão de um homem no fim da vida em uma posição singular.
Assim se apresentam discussões em que o político e o íntimo se cruzam. Inclusive, em meio à discussão sobre a eutanásia, Mariano se vê diante da doença de seu cavalo e vive o impasse entre sacrifica-lo ou não.
Para a decisão dos indultos ele e sua filha também visitam os presos e conhecem suas histórias, se inteirando sobre o caso, mas também se envolvendo com aquelas pessoas.
E em suas reflexões sobre o fim da vida, as conversas filosóficas que tem com o Papa também nos instigam.
Por exemplo, no plano pessoal, vemos Mariano sofrendo com o luto da morte da mulher e a angústia de saber que foi traído por ela mas não saber por quem, essaa dúvida o corrói e o põe em investigação com as pessoas próximas. Diante de uma história de amor, o que seria esse esclarecimento? Talvez uma validação ou invalidação de suas memórias amorosas?
Nesse plano também entram as histórias dos filhos, adultos maduros que o acusam de negligência, mas que demonstram se importarem muito com o pai, seja como a filha, que segue seus passos no direito, trabalha ao seu lado e vigia sua saúde, ou o filho, que se afasta para se libertar do "julgamento" paterno, poder amadurecer em um outro caminho.

Nenhum comentário:
Postar um comentário