segunda-feira, 25 de maio de 2026

Morro dos ventos uivantes (Wuthering Heights) - Emerald Fennell

    Emerald Fennell traz uma nova adaptação do romance de Emily Brontë O morro dos ventos uivantes

    Com personagens densas e repletas de ambivalências, tanto para os padrões da época, entre o que se esperava de "bons" e "boas" moças no século XIX e seus verdadeiros desejos, quanto sentimentos universais que o sujeito tem que se haver em distintos tempos e espaços: ódio aos pais que coexistem com o amor; amores fraternos que resvalam em amores românticos; admirações que flertam com invejas; cuidados que se tornam castrações; castrações que são necessárias para o amadurecimento e castrações que são inibidoras para a vida; planejamentos racionais para o futuro que se opõem aos sentimentos...

    Todas essas questões são a base da trama do Morro dos ventos uivantes, que fala do acolhimento da família Earnshaw ao jovem acunhado por Heathcliff. O garoto da mesma idade da filha do senhor da casa, Cathy, cresce com ela como uma irmã. Para ela ele também é uma importante companhia, já que Cathy é órfã de mãe e seu pai é viciado em álcool e jogos e tem comportamento abusivo e violento. 

    A irmandade entre Cathy e Heathcliff surge como um oasis para ambos, mas o sentimento entre eles muitas vezes ameaça transbordar.

    É aí que o lado controlador de Cathy aparece: ela subjuga o rapaz e tenta subjugar as próprias emoções, ambicionando um futuro para si mais promissor. Ela planeja se casar com um homem rico para garantir uma vida de segurança e conforto.

    O conflito entre esse plano racional e suas verdadeiras emoções é tema visto em muitas obras e já tem certo desgaste, mas é uma realidade tão comum e impositiva que segue com apelo, seguimos vendo adaptações de obras como Madame Bovary Primo Basílio ou exemplos mais recentes como Longe deste insensato mundo, filmado por Thomas Vinterberg - e comentado aqui e Adoráveis mulheres, que após adaptação dos 90, ganhou versão recente de Greta Gerwig com certo frescor na direção.   

    Já Fennel não traz atualização ao romance de Brontë e tampouco explora bem toda a profundidade do conflito, desenha cada personagem quase que em caricaturas e explora uma atuação simplista. O casal vivido por Margot Robbie e Jacob Elordi tem carisma e sex appeal mas não densidade e ambiguidade.

    Parecemos estar diante de uma novela e com uma protagonista cujo lado egoísta se sobrepõe, assim fica difícil nos aproximarmos e envolvermos com ela, assistimos à trama com certa distância e ao invés de arrebatamentos fica mais fácil virem incômodos.

    Filme bem feito, bonito, mas raso, uma pena, pois ainda há muito espaço para atualizações de clássicos, vide Hamnet, exemplo recente comentado aqui.

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