Filme simples: registro de projeto de um artista.
O interessante do filme é que o artista é Vik Muniz no maior lixão do mundo - o Aterro Sanitário de Gramacho - abordando pessoas de histórias duras, profundas, bonitas que convivem naquele espaço e se deixam ser fotografadas e ajudam a que essas fotos sejam reproduzidas com material reciclado tirado do lixão (!!!).
Os poréns - porque não sei viver sem eles - é que as histórias não são muito aprofundadas... Ainda mais pensando nesse ambiente e em filmes interessantíssimos como Boca de Lixo de Eduardo Coutinho.
E outro porém ainda mais grave é que o registro de Lixo Extraordinário é manipulador demais. Ele mostra situações interessantes e delicadas, pois apresenta mundos diferentes a pessoas convivendo com um cotidiano duro e discutem a responsabilidade disso: apresentar possibilidades, mas não poder mante-las.
Mas a conclusão que essas questões suscitam veem ditas pela narrativa do filme, desde detalhes como o próprio Vik Muniz se apresentando como o mais conhecido artista brasileiro no exterior.
E depois o que acho mais grave do filme dizendo que a atitude deles é nobre, é incrível, é isso e é aquilo...
E depois o que acho mais grave do filme dizendo que a atitude deles é nobre, é incrível, é isso e é aquilo...
Isso enfraquece as ações mostradas, pois o que isso gera, o que isso nos faz refletir, deve ser despertado em cada um e não ser narrado como optaram Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim.
Faz lembrar de Pixote e repensar responsabilidades, atos nobres X atitudes paternalistas... Complexa questão...
Por isso que em meio a tanto material, se separa o joio do trigo, o extraordinário do lixo e se fica com a reciclagem de idéias e arte final emocionante!